quarta-feira, 12 de maio de 2010

il silenzio nella stanza

Já não era sem tempo, Aurora? Por onde andaste tão sumida? Não te encontrei nos dias sem cigarro, nos domingos mal amados, nas ilusões alcoólicas, nas obsessões por limpeza e organização. Não deverias estar no mesmo lugar? Ou algo tão mais importante tirou minha atenção que não a vi fugir? Não fujas de mim, Aurora, agora estou aqui por inteira. Não te finjas de cega, putinha mal paga! Fale já comigo, tenho saudades do brilho dourado de outrora nos teus dentes. Não quero mais tua trepada; desejo um café e um cigarro. Comprei tua marca preferida, me acompanhas? São seis da manhã – em maio surges ao meu lado um pouco mais cedo. Não sei se com felicidade, desgosto, preguiça de viver ou vontade de trabalhar; independente disso, só quero alguns minutos de sua jornada – já que não sou o único a querer-odiando o alvorecer de sua companhia.

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