Sabe aquele homem que vemos em um longo caminhar? Noite chuvosa, guarda-chuva fora de alcance, cigarro entre os dedos e um barulho harmônico. Música. Martelos, tímpanos e bigorna preparados: atenção! Rua larga, superlotada pelo vazio de uma caixa acústica atmosférica que entra em ressonância com a lotação de fumaça nas vias respiratórias.
“And the clock waits so patiently on your song”
Canta para plateia e se alinha em ritmo compassado enquanto a multidão em frente corre com passadas arrítmicas, acompanhadas por um carro espalhando uma poça em todos os ângulos.
“Chev brakes are snarling as you stumble across the road
But the day breaks instead so you hurry home”
O homem caminha já com um filtro entre os dedos. Encontra um late night coffee, pede uma média sem leite e sem açucar, já pensando no amargo que acompanha o batismo amadeirado do líquido preto. Incansáveis, os instrumentos acústicos permeiam o local. Falatórios transformam-se em sinfonias convidativas.
“You walk past a café but you don't eat when you've lived too long”
Levanta-se, cumprimenta todos e marcha em direção certeira. Transbordando daquele momento, despe-se das roupas molhadas e mergulha na aconchegante câmara de altíssimo pé direito, onde o som sonha em repousar.
“Just turn on with me and you're not alone”.


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