quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

14 de Agosto

Sono indiscutível-indescritível e devaneios em plena classe. Subitamente, ela acorda. Um campo de papoulas, o horizonte invisível. “Criança, pare de se despetalar!”. Aquele ser asqueroso começou a rir, talvez a risada mais sádica que já suportou. Não fosse a incrível inconveniência de alguns homens, teria dormido mais alguns meses, anos; mas quem se importa? Eram somente mãos sacudindo o ombro e um rosto esquálido com marcas espiraladas na testa. Tanto faz... Ponho-me a caminhar entre os campos, respiro profundamente; torno a respirar – precisa ficar branco. No fundo do ônibus, me sento; só há solidão, das mais variadas formas - pervertidas, nostálgicas, compadecidas e sólidas - solidões-sólidas. Gosto de todas, mas escolho a solidão-gorda-trauteante; depois de décadas cantarolando, finalmente posso descansar, é doce.

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